Se pudéssemos dizer que do que é feita a nossa consciência, certamente a DMT estaria presente. O composto dimetiltriptamina, também conhecido como a molécula do espírito, é natural em muitos organismos em toda a biosfera. Humanos, plantas e animais produzem essa substância e, nos humanos, ela nasce dentro da glândula pineal, que sabemos ser a glândula responsável pela comunicação espiritual
A Ayahuaca é um chá, proveniente da decocção de duas plantas, o Jagube – um cipó – e a Chacrona – um arbusto – , utilizado principalmente em cerimônias religiosas, rituais indígenas e cultos por sua propriedade de expandir a consciência e limpar o organismo humano.
Ayahuasca é o nome quéchua da bebida que significa “vinho das almas”, mas em outros locais e segmentos religiosos passaram a denominá-la como: daime, vegetal, hoasca, caapi, yage, waska.
Das duas plantas de poder, o Jagube, cujo nome científico é Banisteriopsis caapi, que é um cipó, utiliza-se o caule amadeirado, e a Chacrona ou Rainha da Floresta, cujo nome científico é Psycotria Viridis, que é um arbusto, utiliza-se as folhas.
Pesquisas de cunho científico, realizadas por grandes autoridades mundiais em toxicologia, etnobotânica, psiquiatria e psicofarmacologia, como os Drs. RICK STRASSMAN e CHARLES GROBB, comprovaram que a ayahuasca não é uma droga, não entorpece, não causa qualquer padrão de dependência, abuso, overdose ou síndrome de abstinência, e que, principalmente, não foi observado o surgimento de qualquer tipo de distúrbio mental posteriormente ao uso da ayahuasca.
Nessa pesquisa, também foi constatado que a dose letal da ayahuasca (quantidade a ser ingerida por um organismo para que ocorra o risco de óbito) é de 7,8 litros, muito próximo à dose letal da água, que é de 10 litros; embora seja impossível uma pessoa ingerir 1 litro que seja de uma só vez. Quanto aos testes psiquiátricos, foram aplicados aqueles recomendados pela ortodoxia científica: o CIDl (Composite International Diagnostic Interview) com os critérios do CID 10 e DSM IIIR. c o TPQ (Tridimensional Personality Questionnaire).
Um dos componentes da Ayahuasca é o Dimetiltriptamina ou simplesmente DMT. Uma substância que contenha DMT, para ser enquadrada como droga, dentro das leis científicas atuais, precisa conter 2% de DMT. No caso da ayahuasca, esse percentual é 0,02 %, ou seja, 100 vezes menor do que a taxa mínima necessária para que a substância seja classificada como droga.
Constatou-se sobre os dois grupos separados para esta pesquisa científica (grupo dos “usuários de ayahuasca” e grupo dos “não usuários de ayahuasca”), que: Os integrantes do grupo usuário de ayahuasca, em relação ao grupo de não usuários, mostravam-se mais reflexivos, resistentes, leais, estoicos, calmos, frugais, ordeiros e persistentes, além de mais confiantes, otimistas, desinibidos, despreocupados, dispostos e enérgicos. Exibiram também alegria, determinação e confiança elevada em si mesmo.
O Santo Daime é uma manifestação religiosa surgida na região amazônica nas primeiras décadas do século XX. Consiste em uma Doutrina espiritualista que tem como base o uso sacramental de uma bebida enteógena, a ayahuasca. A Doutrina não possui proselitismo, sendo a prática espiritual essencialmente individual, sendo o autoconhecimento e internalização os meios de obter sabedoria.
Segundo seus adeptos, a Doutrina do Santo Daime é uma missão espiritual, que encaminha os seus praticantes ao perdão e a regeneração do seu ser. Isto acontece porque o daimista, ao participar dos cultos e ingerir o Santo Daime inicia um processo de autoconhecimento, que visa corrigir os defeitos e melhorar-se sempre, aprimorando-se como ser humano.
Nos rituais sempre há uma forte presença musical. São sempre cantados hinos religiosos e são usados maracás, um instrumento indígena ancestral, na maioria dos locais de culto, além de violas, flautas, bongôs e atabaques.
Surgiu no estado brasileiro do Acre, no início do século XX, tendo como fundador o lavrador e descendente de escravos Raimundo Irineu Serra, que passou a ser chamado dentro da doutrina e por todos que o conheciam como Mestre Irineu. Após conhecer a bebida sacramental chamada de ayahuasca pelos nativos da região Amazônica, Irineu Serra teve uma visão de características marianas, em que um ser espiritual superior lhe entrega a missão do Santo Daime.
Mestre Irineu nasceu em São Vicente Ferrer, no Estado do Maranhão em 1892. No final da primeira década do século, embarcou para o então Território do Acre para trabalhar nos seringais, onde se estabeleceu próximo à cidade de Brasileia, na fronteira com a Bolívia. Foi ali que Raimundo Irineu Serra teve sua iniciação com a ayahuasca, recebendo a missão de uma entidade feminina associada com a Virgem Maria (Virgem da Conceição ou Rainha da Floresta) de expandir a Doutrina e utilizar todo o conhecimento nela inserida para a cura.
Mestre Irineu não inventou a ayahuasca, foi apenas responsável pela cristianização do seu uso, rebatizando a bebida a partir do rogativo “Dai-me Amor”, “Dai-me Firmeza”. A nova crença religiosa mesclou elementos culturais diversos como as tradições caboclas e xamânicas, o catolicismo popular, o esoterismo e tradições afro-brasileiras.[1]
Na década de 1930 inicia seus trabalhos espirituais com um pequeno grupo de seguidores nos arredores de Rio Branco e, com o passar dos anos, viu esse grupo aumentar em tamanho e importância no cenário acreano. Raimundo Irineu Serra faleceu em 6 de julho de 1971.
A dimetiltriptamina ou DMT é uma substância considerada psicodélica pertencente ao grupo das triptaminas, semelhante à serotonina e a melatonina. É encontrada in natura em vários gêneros de plantas, animais e também produzida pelo corpo humano.
Coincidência ou não, o DMT é o princípio ativo da mistura do ayahuasca, utilizado nos rituais do Santo Daime e também do vinho de Jurema. O DMT é bem conhecida por índios brasileiros e da América do Sul em geral, presente em inúmeros rituais espirituais. Certamente não é por acaso que essas culturas usam essa substância para abrir as portas espirituais, pois, eles sabem que esse composto está diretamente ligado à nossa consciência.
Enquanto fármaco, o DMT não causa dependência física ou psicológica e, como se trata de uma molécula produzida pelo corpo, sua toxicidade é muito baixa. Por isso, é uma substância considerada segura, se utilizada sem exageros. Apesar dos estudos, a ciência ainda não consegue explicar exatamente como essa substância atua na mente humana, especialmente pelos relatos que afirmam um contato com o cosmos, com o infinito.
Muito do que se sabe sobre o DMT e sua relação com a mente e a espiritualidade vem dos estudos de Rick Strassman, um médico especializado em psiquiatria e doutorado em psicofarmacologia. Rick Strassman estudou a fundo os efeitos da dimetiltriptamina e escreveu um livro sobre o tema, chamado DMT: a molécula do espírito. Com base no livro, foi feito um documentário que deve ser assistido por todo buscador da espiritualidade. A combinação de ciência, espiritualidade e filosofia na abordagem do filme lança luz sobre uma série de idéias que podem alterar a forma de o homem entender o universo e se relacionar com ele.
A glândula pineal emite as suas secreções para os centros cerebrais emocionais, visuais e auditivos, ajuda a regular a temperatura corporal e também está implicada no reparo do DNA e na regulação epigenética. Nosso corpo produz DMT em grandes quantidades nos momentos críticos da vida, como no nascimento, stress profundo, meditação, experiências de quase-morte e a própria morte. Nas crianças a DMT também é produzida em maior quantidade, porém, após o período mais imaginativo da infância a pineal calcifica e diminui por volta dos 12 anos. Como informação científica, vemos que existe uma conformidade com as narrativas metafísicas que dizem que as crianças estão mais conectadas com a espiritualidade, especialmente até os 6 anos de idade.
“Foi o DMT que aumentou meu compromisso com a experiência psicodélica. Ele era tão mais poderoso, tão mais alienígena, levantando todo tipo de questão sobre o que é realidade, o que é linguagem, o que é o eu, o que é o espaço e o tempo tridimensionais, todas as questões com que me envolvi nos últimos 20 anos”
Terence Mckenna
O DMT é um neurotransmissor com um papel fundamental em casos de estados de percepção incomuns. Esse neurotransmissor se encontra no cérebro, no sangue, pulmões e noutras partes do corpo. É como se o DMT fosse um decodificador bioquímico dos estados mais intensos da atividade anímica na matéria física, permitindo a mente certos vislumbres ou janelas da realidade original da alma, encarcerada provisoriamente no corpo físico denso, e naqueles pontos de limite, quando as fronteiras entre matéria e espírito se estreitam, seja de uma forma positiva, como durante a meditação ou a viagem astral, seja de uma forma negativa, durante uma doença ou morte. Ou Seja, a DMT age sobre cérebro e faz com que ele consiga receber informações sensoriais às quais ele normalmente não tem acesso, pois tem a capacidade de transportar os humanos para uma realidade alternativa.
Na meditação a DMT também está muito presente, mais uma evidência da ligação dessa substância com a pineal e com o universo espiritual. Segundo a ciência, quando meditamos há uma liberação mais intensa de DMT no nosso corpo, e, quanto mais praticamos, mais DMT é liberada. O fato da DMT ser produzida pela glândula pineal é produzir esse efeito espiritual é que a faz ser considerada a molécula do espírito, embora essa relação não seja comprovada. De qualquer forma, os relatos de quem fez uso da substância mostram que as experiências são, de fato, muito mais espirituais do que simplesmente alucinógenas como acontece quando há a ingestão de drogas.